Gupy, Catho, InfoJobs ou Vagas: onde se candidatar
By Mustafa Tarabya, founder of CVBooster · Published · Updated
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São onze da noite de uma terça e você tem quatro abas abertas: uma vaga de analista numa página que termina em gupy.io, a mesma vaga na Catho com o botão de candidatura atrás de um plano pago, a InfoJobs pedindo para completar o perfil e a Vagas.com com um formulário de currículo em várias etapas. Em qual delas vale gastar a próxima hora?
A resposta não é uma lista de prós e contras, porque essas quatro coisas não pertencem à mesma categoria de produto. Duas são sites de vagas clássicos, uma cobra assinatura de você, e a Gupy não é um site de vagas: é o software de recrutamento que a empresa contratante comprou. Comparar as quatro como concorrentes diretas é o motivo de tanta gente gastar esforço no lugar errado.
A pergunta que organiza tudo: quem paga a conta
Antes de decidir onde se candidatar, descubra quem é o cliente pagante de cada plataforma. Isso determina o que ela otimiza, o que ela mostra e o que ela cobra de você. São três modelos convivendo no mercado brasileiro:
- Software de recrutamento (ATS) vendido para a empresa: Gupy, Sólides e a antiga Kenoby, hoje parte da Gupy. Quem paga é o empregador, e não existe assinatura possível para o candidato.
- Site de vagas com banco de currículos vendido para a empresa: InfoJobs Brasil e Vagas.com. Quem paga é o recrutador, que compra acesso para anunciar e pesquisar currículos.
- Site de vagas que cobra dos dois lados: Catho. O recrutador paga para anunciar e buscar currículos, e o candidato paga assinatura para liberar boa parte dos recursos.
- Agregadores, como Indeed e a busca de empregos do Google, que em geral só indexam anúncios publicados em outro lugar e devolvem você para lá.
Só uma dessas linhas envolve o seu dinheiro, e a primeira não compete com as outras: uma empresa que usa Gupy pode anunciar a mesma vaga na Catho e na InfoJobs, porque anúncio e sistema de gestão são coisas diferentes.
O que a Gupy é de verdade
A Gupy é uma empresa brasileira de tecnologia de RH que vende um sistema de recrutamento e seleção. A contratante assina o serviço e ganha, entre outras coisas, uma página de carreiras hospedada pela Gupy. Daí o formato reconhecível dos links, com o nome da empresa antes de gupy.io. A página é da empresa, não é vitrine da plataforma.
O que confunde é que a Gupy também mantém uma busca de vagas aberta a candidatos. Isso dá aparência de portal de empregos, mas a diferença continua: nenhuma vaga está ali porque alguém escolheu anunciar naquele portal, e sim porque aquela empresa contratou o software.
A consequência prática é grande. Em um site de vagas, o recrutador pode encontrar você pesquisando o banco de currículos, sem que você tenha se candidatado a nada. Em um ATS isso quase não acontece: o seu perfil vive dentro dos processos em que você se inscreveu e no banco de talentos de cada empresa.
Tip: Se o link tem o nome da empresa antes do domínio da plataforma, você está na página de carreiras dela. Quase sempre é o melhor lugar para se candidatar: é ali que o registro da sua candidatura nasce.
Sólides e os outros sistemas que você usa sem perceber
A Gupy é o nome mais conhecido, mas não é o único. A Sólides é outro fornecedor brasileiro de software de RH, forte em empresas de médio porte, com uma marca registrada no processo: a análise de perfil comportamental. Se você recebeu um link pedindo para responder um questionário de comportamento antes de qualquer entrevista, provavelmente estava nesse tipo de ferramenta.
A regra vale para todos: você não escolhe o ATS, a empresa escolhe, e nenhuma assinatura aumenta a sua visibilidade ali. Sob o seu controle sobra preencher bem os campos e responder os questionários com atenção, porque teste comportamental e pergunta eliminatória costumam pesar mais que a estética do arquivo anexado.
Catho: a única que cobra de você
A Catho é um dos sites de vagas mais antigos do Brasil e o único dos quatro que monetiza os dois lados. O recrutador contrata para publicar vagas e pesquisar currículos. O candidato faz cadastro gratuito, mas parte relevante do uso fica atrás de um plano pago, com valores que variam conforme o período contratado.
Aqui está o ponto que a maioria dos artigos de comparação evita dizer: pagar não muda a opinião de nenhum recrutador sobre você. A assinatura remove barreiras dentro do produto, não adiciona pontos no processo seletivo. O seu currículo já está no banco que os recrutadores pagantes pesquisam mesmo se você nunca assinar.
Vale saber dois pontos de consumidor antes de clicar. Assinaturas online costumam ter renovação automática, então a data de renovação precisa entrar no seu calendário no mesmo dia da contratação. E, por ser compra fora do estabelecimento comercial, o artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990) garante arrependimento em sete dias, com devolução dos valores pagos.
Vale a pena pagar? O teste de quinze minutos
Em vez de responder com opinião, responda com dados do seu próprio setor. Faça isto antes de assinar qualquer plano de qualquer site:
- Separe cinco vagas reais que você quer na Catho, com título e cidade.
- Procure o título exato de cada uma no Google, junto com o nome da empresa quando aparecer, e veja se a mesma vaga está publicada de graça em outro lugar.
- Procure também a página de carreiras da empresa, porque muito anúncio de portal é cópia de uma vaga já aberta no site dela.
- Conte quantas das cinco você só alcança pagando. Se forem zero ou uma, a assinatura não é o seu gargalo.
- Se forem três ou mais, assine o período mais curto possível, use de forma intensiva por poucas semanas e marque a data de renovação.
O resultado muda conforme a área. Em tecnologia e em cargos de gestão, boa parte do mercado circula fora dos portais pagos. Em funções administrativas, comerciais e operacionais fora das capitais, o peso do anúncio em portal é maior. Não existe resposta única, existe a resposta do seu nicho.
InfoJobs e Vagas.com: bancos de currículos que o recrutador pesquisa
InfoJobs Brasil e Vagas.com são gratuitos para o candidato e cobram da empresa. As duas vendem, além do anúncio, acesso ao banco de currículos, e a Vagas.com também comercializa software de recrutamento, o que coloca a mesma marca nos dois lados da mesa.
Essa diferença de modelo tem um efeito prático que quase ninguém explica: nesses portais o seu currículo não serve só para se candidatar, ele é um registro pesquisável. O recrutador abre uma tela de busca e filtra por cargo, área, cidade, faixa de pretensão salarial, formação, idiomas e data da última atualização.
Isso reorganiza as prioridades. Em um ATS, o esforço é por vaga. Num banco de currículos, o esforço é ser encontrável: cargo com o nome que o mercado usa, cidade correta, campos obrigatórios preenchidos e cadastro atualizado.
Tip: Entrar na plataforma e salvar o currículo uma vez por mês, mesmo sem novidade profissional, custa dois minutos e mantém você dentro das buscas que filtram por cadastros recentes.
A mesma vaga em quatro portas: por onde entrar
É comum encontrar a mesma vaga na página de carreiras da empresa, em um agregador, em um portal pago e numa publicação de LinkedIn da pessoa recrutadora. Não são quatro oportunidades, é uma só com quatro entradas.
Na prática: a página de carreiras da empresa em primeiro lugar, incluindo os endereços hospedados por plataformas de ATS. Depois, o portal em que o anúncio foi publicado originalmente. Agregadores por último, porque muitos apenas redirecionam. E não se candidate à mesma vaga por dois caminhos achando que dobra a chance: não dobra, e em alguns sistemas gera dois registros da mesma pessoa.
Como o currículo muda de plataforma para plataforma
O conteúdo da sua carreira é o mesmo em todo lugar. O formato de entrega, não. Estas são as adaptações que mudam resultado:
- Gupy e outros ATS: o arquivo que você sobe é rascunho, quem concorre é o perfil preenchido. Revise campo a campo depois do preenchimento automático, porque a leitura do PDF erra datas e mistura cargos.
- Catho: trate o cadastro como registro de busca. Cargo desejado, área, cidade, disponibilidade e pretensão salarial não são enfeite, são filtros que decidem se você aparece na tela do recrutador.
- InfoJobs: o uso pelo aplicativo domina. Escreva o cargo com o nome que o mercado reconhece, não com o título interno da empresa antiga, e configure alertas por e-mail para as combinações de cargo e cidade que interessam.
- Vagas.com: o formulário é longo de propósito. Preencha até o fim, inclusive idiomas, formação e disponibilidade para mudança, porque cada campo abandonado é um filtro em que você não existe.
- Página de carreiras própria e envio por e-mail: aqui o arquivo é a peça final. Use uma versão de coluna única, com texto selecionável de verdade, e mande em .docx quando o formulário aceitar.
Pretensão salarial: o campo que trava todo mundo
Nos portais com banco de currículos, esse campo costuma ser obrigatório e alimenta um filtro numérico. Escrever "a combinar" quando o sistema aceita texto livre parece prudente e tem um efeito colateral concreto: você some das buscas que restringem por faixa.
Duas precauções tornam o número menos arriscado. Deixe explícito o regime a que ele se refere, porque um valor mensal em CLT e um valor de nota fiscal como PJ não são comparáveis: o CLT vem com décimo terceiro, férias com adicional de um terço, FGTS e benefícios, enquanto o de PJ precisa absorver impostos e contabilidade. E revise o número a cada poucos meses, porque um valor cadastrado há dois anos continua sendo o seu preço.
Os seus dados ficam nesses bancos, e a LGPD se aplica
Currículo é um conjunto de dados pessoais e, ao cadastrá-lo em um portal, ele passa a ser tratado por aquela empresa e visualizado por clientes dela. A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018) garante ao titular, entre outros direitos, confirmação de tratamento, acesso, correção e eliminação dos dados tratados com base no consentimento.
Na prática: se você parou de procurar emprego, peça a exclusão do cadastro em vez de deixá-lo envelhecendo dentro de bancos que continuam sendo pesquisados. O canal do encarregado de dados costuma estar na política de privacidade do site.
O roteiro que funciona para as quatro
- Antes de assinar qualquer coisa, faça o teste das cinco vagas e veja se o que você quer está mesmo atrás de um plano pago.
- Mantenha cadastro gratuito e atualizado na InfoJobs e na Vagas.com, que só custam tempo e permitem que você seja encontrado.
- Na Gupy e em outros ATS, arrume o perfil com calma antes de sair se candidatando em volume.
- Candidate-se sempre pela porta mais próxima da empresa, e não pela mesma vaga em dois lugares.
- Preencha pretensão salarial com número e deixe claro se é CLT ou PJ.
- Guarde duas versões do arquivo: uma de coluna única com texto extraível para formulários, e a versão bonita para quando um humano abrir o anexo.
A conclusão desconfortável
Nenhuma dessas plataformas é ruim e nenhuma é o seu problema principal. Elas resolvem distribuição, e distribuição raramente é o gargalo de quem está há meses sem resposta. O gargalo costuma ser o conteúdo: cargos com nomes que ninguém pesquisa, experiência descrita como rotina em vez de entrega, campos obrigatórios vazios e a mesma versão genérica para vagas muito diferentes.
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